Comissão vai apurar fechamento de leitos, cancelamento de cirurgias e falta de médicos no HSPE

01/06/2023

Da Rede Brasil Atual

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) vai apurar as condições de funcionamento do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE). São inúmeros os relatos de fechamento de leitos e de centros cirúrgicos, falta de médicos e de medicamentos, além de sistemático corte orçamentário.

A situação é agravada pelo número insuficiente de funcionários devido à falta de concursos públicos. O hospital é responsável pelo atendimento médico aos funcionários públicos do estado.

Na terça-feira (30) a comissão aprovou requerimento de diligência apresentado pela deputada estadual Beth Sahão (PT). “Esse hospital é muito importante. Atende a todos os servidores e seus dependentes, não só para atendimento primário, mas para pequenas cirurgias e também cirurgias de média e de alta complexidade. Nós temos recebido muitas reclamações. Então a gente fará uma visita ao HSPE para conversar com o superintendente, com os médicos, com o quadro de funcionários e levantar suas principais demandas”, disse a parlamentar, integrante titular da Comissão de Saúde da Assembleia.

Segundo ela, o objetivo é “radiografar” a situação em que se encontra a unidade hospitalar. E também tentar fazer a intermediação junto à Secretaria de Estado da Saúde para posterior responsabilização.

“Vamos cobrar do secretário (de Saúde, Eleuses Paiva), cobrar do governado do Estado, Tarcísio de Freitas, investimentos maciços. Esse hospital é muito grande e precisa receber os investimentos necessários para atender os seus usuários com qualidade. É isso o que a gente quer”, disse Beth Sahão.

Referência do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), o HSPE é responsável pelo atendimento de 1,5 milhão de pessoas no estado. Mas sua estrutura deficitária coloca em risco a continuidade da prestação dos serviços. Há atualmente apenas mil leitos, cerca de 3 mil funcionários e outras 13 unidades distribuídas pelo estado.

Outro fator responsável pela situação preocupante no HSPE é a terceirização de parte considerável dos serviços, incluindo o pronto-socorro. Na avaliação de sindicatos que representam diferentes categorias de servidores, o hospital não dá conta da alta demanda concentrada em São Paulo, onde são recebidos pacientes de todo o Estado.

Os servidores contribuem com 3% do salário para ter acesso ao atendimento ao hospital. Mas segundo a Associação de Funcionários do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (Afiamspe), o governo paulista não aplica qualquer contrapartida de recursos.