Em ato histórico, servidores do TJ-SP lotam Praça João Mendes e decidem pela manutenção da greve

22/05/2025

Uma multidão de servidores do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) tomou a Praça João Mendes, no centro da capital, na tarde desta quarta-feira, 21 de maio, em uma Assembleia Geral que marcou um dos maiores atos da categoria nos últimos anos.

Com milhares de participantes, o ato resultou na decisão pela manutenção da greve – iniciada em 14 de maio – e expressou profunda insatisfação com a política de remuneração do TJ-SP. A principal reivindicação é o pagamento integral das perdas inflacionárias.

Segundo os grevistas, no início de 2024, o índice acumulado dessas perdas era de 30,24%, mas o Tribunal de Justiça concedeu apenas 5% de reajuste, sem abrir negociação ou diálogo com os representantes dos servidores.

A dimensão da manifestação, com a praça repleta, remeteu a mobilizações históricas dos judiciários paulistas, como as de 2001, 2004 e 2010. Escreventes, oficiais de justiça, psicólogos e assistentes sociais e outros servidores – tanto da ativa quanto aposentados – uniram-se em um coro de reivindicações.

O secretário da Apatej, André Soares, e o presidente, Ednaldo Batista.

A representatividade foi expressiva, com delegações de mais de 50 comarcas do estado e de cerca de 20 fóruns da Capital.

A Apatej marcou presença com seu presidente, Ednaldo Batista, o tesoureiro Mario José Mariano, o Marinho, o secretário André Soares e vários colaboradores, reforçando o apoio institucional à paralisação. A entidade também ofereceu transporte e alimentação para centenas de trabalhadores de sua base que participaram do ato.

O movimento também contou com o respaldo de parlamentares, incluindo os deputados estaduais Carlos Giannazi (PSOL) e Mônica Seixas (PSOL), e a vereadora Luana Alves (PSOL) da cidade de São Paulo, que discursaram em apoio.

Após as falas iniciais, os manifestantes realizaram uma passeata no entorno do Fórum João Mendes, prosseguindo com a Assembleia em frente ao Palácio da Justiça.

Durante a mobilização, uma comissão de representantes da categoria seguiu até a presidência do Tribunal para pleitear a antecipação da Mesa de Negociação, previamente agendada de forma virtual para a tarde do dia 28 de maio.

O grupo solicitou que o encontro fosse presencial e ocorresse na parte da manhã, preferencialmente até as 11 horas.

A comissão foi recebida pelos juízes assessores da Presidência, André Gustavo Furlan e Dr. Wagner Roby Gidaro, e pela Secretária de Gestão de Pessoas (SGP), Vanessa Cristina Martiniano.

A Presidência do TJ-SP comprometeu-se a dar uma resposta sobre a antecipação e o formato da reunião até a próxima sexta-feira, 23 de maio.

No encontro, os servidores também pediram que o TJ-SP já compareça à mesa de negociação com uma contraproposta concreta referente ao pagamento das perdas acumuladas.

Ao retornarem à concentração, os servidores em greve deliberaram e votaram pela revogação da Portaria nº 10.579/2025, que dispõe sobre a criação do cargo de Escrevente Técnico Judiciário de Gabinete.

Como encaminhamento, foi aprovada a realização de uma nova Assembleia Geral presencial para o dia 28 de maio, às 13 horas, novamente na Praça João Mendes, para avaliar os próximos passos.

Para Ednaldo Batista, o ato desta quarta-feira foi uma importante demonstração de força dos servidores. “A categoria mostrou que está engajada na busca por seus direitos. Não é aumento salarial e nem privilégio, é apenas o pagamento de direitos que foram subtraídos em um passado recente”, destacou.

Ele lembrou ainda que o próximo ato será ainda maior e irá mostrar que a categoria não aguenta continuar como está. “Repor a inflação de hoje não ameniza as perdas que tivemos. Precisamos receber o que nos foi tirado  “, finalizou.

A greve dos judiciários do TJ-SP continua, com as entidades representativas conclamando todos os servidores a se engajarem, aumentando a adesão e visitando os fóruns para convocar os colegas.

 

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