Com 92 dias, greve dos servidores do Judiciário paulista é a maior das paralisações

29/07/2010

Apesar das tentativas das entidades representativas de nossa categoria, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo não cedeu. A intransigência foi celada pela negativa a realização do encontro entre o TJ e o comitê de greve para rodada de negociação que viabilizasse o desfecho da paralisação.

Sem novo encontro e formulação de propostas pela cúpula da Casa, os cerca de dois mil servidores que estiveram na praça João Mendes votaram pela continuidade da greve nesta quarta-feira, 28, completando 92 dias. O movimento se transformou no maior já realizado pela categoria e ultrapassou a paralisação realizada em 2004, quando os servidores manifestaram durante 91 dias.

A data, que além do recorde condensa a simbologia da resistência de uma unidade ao longo de três meses, também foi registrada pela insensibilidade da  “corte” à greve de fome de uma semana do servidor Valdemiro José Jungklaus, da Comarca de Jacupiranga, e das retaliações ao direito de greve do trabalhador, assegurados em lei constitucional.

Mais uma vez tentativas do TJ de esvaziar o movimento atentaram contra  nossa categoria. Ainda que um ponto de táxi tenha sido criado para impossibilitar o estacionamento do caminhão de som trazido pelas entidades para a realização da assembleia, que a polícia tenha ameaçado a votação democrática dos servidores com multas ao motorista e formação tática ao redor dos presentes, nossa categoria decidiu não só pela greve como também por ações que chamem atenção dos Poderes às suas reivindicações.

Mesmo sem mandado de segurança para a realização do ato, os manifestantes deliberaram na praça por uma caminhada até a frente do Ministério Público, onde foram contundentes na cobrança por maior fiscalização do TJ e posicionamento perante à greve, e por ida ao Tribunal de Justiça, quando encerraram a manifestação com uma oração à frente do prédio.

Além dos atos, os grevistas decidiram também pela realização de ato público em Brasília, na próxima terça-feira, 3 de agosto, com intuito de pressionar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a tomar uma decisão sobre os desmandos do TJ/SP,  bem como marcar audiência urgente do Conselho em São Paulo. Com a resolução, a assembleia estadual, que semanalmente acontece na praça João Mendes, será realizada na quarta-feira, 4, às 14h, mas no estacionamento da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). A alteração deve-se também a audiência pública que será realizada em seguida, no auditório  Franco Montoro da Alesp, às 16h30, na qual será discutida a gestão dos recursos do TJ.

Brasília

As entidades irão disponibilizar transporte para que grevistas possam ir a Brasília para a realização do ato público. A adesão deve ser feita até o final desta quinta, dia 29 de julho, com a inscrição do nome do servidor e de suas comarcas junto as entidades.

Agende-se

Sexta-feira, 30 de julho, às 10h – Assembleia regional no salão de eventos da Apatej

Terça-feira, 3 de agosto, às 10h – 98º dia da greve – Ato público dos servidores em Brasília em frente aos prédios do Supremo Tribunal Federal (STF) e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Quarta-feira, 4 de agosto, às 14h – 99º dia da greve – 15º assembleia estadual na Alesp (entrada do Palácio 9 de Julho pela Avenida Sargento Mario Kozel Filho)

Quarta-feira, 4 de agosto, às 16h30 – 99º dia de greve – Audiência pública dos servidores do Judiciário na Alesp (Auditório Franco Montoro)
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