A sensação era a de que, após mais de 100 dias de greve e luta, as reivindicações dos servidores do Judiciário paulista seriam atendidas, ao menos, caminhariam para um desfecho com vestes de justiça. Mas o curso dos acontecimentos na tarde de ontem revelaram não outro rumo, mas o mesmo descaso com o qual a nossa categoria vem sido tratada pelas estâncias de poder do Estado.
Durante a assembleia estadual desta quarta-feira, 18, manifestantes aguardaram na praça João Mendes o término da reunião entre o governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB) e o presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ/SP), o desembargador Antonio Carlos Viana Santos, no Palácio dos Bandeirantes, que estava prevista para às 16h.
A assembleia, que havia sido suspensa, para que caso houvesse proposta do TJ a mesma pudesse ser submetida à votação pelos grevistas, manteve-se interrompida durante toda a tarde, à espera também da segunda reunião agendada do dia, com os integrantes do comando da greve e com a comissão negociadora do Palácio da Justiça.
Já às 17h, os desembargadores Willian Campos e Antônio Carlos Malheiros receberam os dirigentes do sindicato e das associações representativas da categoria e informaram que não haviam obtido nenhuma resposta do presidente do Tribunal. Após mais de 1h de espera, Malheiros localizou Viana Santos e a resposta recebida foi a já intuída por quase todos: “Não houve suplementação orçamentária”. A notícia trouxe consigo a negativa sobre proposta de índice para a categoria.
Mais uma vez, sem proposta do TJ/SP, os dirigentes retornaram à praça para repassar o resultado da “negociação”. No palanque, informaram sobre segunda reunião a ser realizada hoje, quinta-feira, às 17h, uma segunda tentativa da comissão negociadora de firmar um acordo entre as partes. O desembargador Willian Campos disse, ainda na reunião, pretender, junto a Viana Santos, a antecipação do duodécimo para o pagamento do índice de 4,77 aos servidores nas folhas de outubro, novembro, dezembro e no 13º salário, o que representa um cálculo de R$ 44 milhões. A tentativa não é uma proposta do TJ, mas um esforço da comissão.
Os servidores, com gritos de “fora Viana”, e indignados com o impacto na folha de pagamento do Plano de Cargos e Carreira, que somou, ma maior parte dos casos, cerca de R$ 2 em cada holerite, votaram pela continuidade da greve e deliberaram por um conjunto de atos para a próxima semana. A intenção é somar esforços e realizar de segunda à quarta-feira (23 a 25 de agosto), uma maratona de manifestações no Palácio do Governo, na Assembleia Legislativa, no Palácio da Justiça e no prédio João Mendes. As associações elaborarão, ainda hoje, um cronograma para os atos.
AGENDE-SE
19 de agosto – 114º dia de greve – quinta-feira, às 17h – Reunião da Comissão de entidades e desembargadores no Palácio da Justiça
23 a 25 de agosto – 118º a 120º dia de greve – segunda a quarta-feira – Diversos atos cujo o cronograma será divulgado até sexta-feira
25 de agosto – 120º dia de greve – quarta-feira, às 14h – 18ª assembleia estadual na praça João Mendes