
Discussões do PCCS avançam com nova reunião do Grupo de Trabalho
A próxima reunião deverá ocorrer na primeira semana de novembro.
01/07/2013
Sob protestos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ministério Público e juízes, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou na noite desta quarta-feira (26) o Projeto de Lei Complementar (PLC) 9/2013, que centraliza a Justiça criminal do Estado e elimina a necessidade de concurso interno para que os juízes assumam as novas varas. Advogados, desembargadores e promotores contrários à mudança afirmam que ela afasta a Justiça dos cidadãos, o que contraria a Constituição. O texto segue para o gabinete do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que terá 15 dias úteis para sancionar ou vetar a nova lei.
O texto foi encaminhado pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, desembargador Ivan Ricardo Sartori, em abril deste ano. Apoiado pelo governo do Estado, o projeto passou a tramitar em regime de urgência no mesmo mês, embora não receba apoio das principais associações de juízes, promotores e advogados.
A partir de agora, o TJ vai criar os Departamentos de Execução e de Inquéritos em dez macrorregiões do Estado. A reforma do Judiciário [2004] coloca como prioridade a descentralização da Justiça para dar pleno acesso às pessoas em todas as fases do processo, não o contrário, afirma o secretário-geral da OAB, Antonio Ruiz Filho.
Com a mudança, a investigação policial não será mais enviada para o juiz da cidade em que o crime ocorreu, mas encaminhada para uma das macrorregiões. Em seguida, o processo volta para a cidade de origem para a tramitação. Após a sentença, o processo retorna à macrorregião para que a execução da sentença seja feita. É nesta fase que dura toda a pena que a Justiça decide se o preso terá direito à progressão de regime, se ele poderá trabalhar ou fazer algum curso, por exemplo.
A lei deixa os presos, as famílias, os defensores e promotores longe do processo. Será um caos, afirma o defensor público Leonardo Scofano, da Associação dos Defensores Públicos do Estado Apadep. Quem vai pagar pelo deslocamento dessas famílias? Os volumes de cada processo também precisarão ser deslocados, gerando um gasto enorme, aposta a juíza Kenarik Bonjikian, da Associação Juízes para a Democracia – AJD.
Sem concurso
O Conselho Superior da Magistratura designará os juízes que atuarão no Departamento Estadual de Execuções Criminais a partir de indicação do Presidente do Tribunal de Justiça, diz o projeto.
Scofano evoca o artigo 93 da Constituição para dizer que a promoção ou designação de juízes só pode ser feita por meio de concurso interno, conhecido como concurso de remoção. Abre-se uma vaga em uma vara na capital, por exemplo. Os juízes interessados se inscrevem e o mais antigo exerce a função. Sem isso, o presidente do TJ pode escolher quem ele quiser. Normalmente pessoas de confiança dispostas a cumprir os interesses do tribunal, avalia. A juíza concorda: Não dá para mudar a forma como o juiz ocupa o cargo. Se ele for indicado, ficará à mercê das pressões de quem o indicou.
O relator do caso, deputado estadual Estevam Galvão (DEM), não deu detalhes ao iG sobre sua decisão de recomendar a aprovação do projeto. Sou favorável a ele porque vai melhorar a celeridade do judiciário.
A reportagem solicitou entrevista com o presidente do TJ, mas não houve resposta até o fechamento da matéria. No texto encaminhado por ele, Sartori escreve que sua intenção é acelerar a fiscalização e a concessão de benefícios aos apenados, dando-se, ainda, maior celeridade e eficiência às medidas cautelares e aos pedidos de liberdade provisória afetos a inquéritos policiais em andamento.
Emenda
Cientes de que não conseguiriam derrubar o projeto, a bancada petista na Alesp- contrária ao projeto – sugeriu a chamada Emenda Aglutinadora para tentar regulamentar algumas brechas do texto original. Foi essa emenda quem definiu em dez as macrorregiões e determinou que um juiz corregedor fique encarregado de fiscalizar possíveis irregularidades.
Outra inclusão é a exigência de avaliação do histórico profissional, títulos e publicações para os magistrados que o presidente do TJ terá a prerrogativa de indicar. Mas a principal inclusão é a reafirmação de que caberá à Alesp criar ou eliminar varas, decisão que poderia acabar transferida para o TJ.

A próxima reunião deverá ocorrer na primeira semana de novembro.

Laureano, como era carinhosamente chamado, marcou sua trajetória pela alegria, energia e disposição em ajudar.







