Dia histórico marca reabertura das negociações entre servidores e o TJ

04/06/2010

O dia 2 de junho de 2010 entrará para a história dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Um dia onde venceu a perseverança e a união dos trabalhadores por um ideal. A greve iniciada em 28 de abril, reivindica o reajuste salarial de 20.16%, agora terá rumos diferentes após as novas negociações com o TJ.

Tudo apontava para mais uma quarta-feira de assembleia geral dos servidores do judiciário na Praça João Mendes na luta pelo reajuste salarial, que por mais uma semana reuniu milhares de servidores há 36 dias parados. Mas era apenas o início de um dia que mudaria os rumos do movimento.

Pouco antes do meio-dia, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) por ordem da Prefeitura do Município de São Paulo tentou impedir a realização da Assembleia. As ordens eram de retirarem as faixas e o palanque de som e desmontar as barracas das entidades. Com a resistência dos colegas e o apoio dos advogados vinculados às entidades tudo foi resolvido e a assembleia aconteceu pontualmente as 14h00.

A assembleia seguiu com o mesmo ímpeto desde seu primeiro dia e os mais de 6 mil servidores presentes a Praça votaram por continuar a greve diante da total ausência de novidades e contra-propostas por parte do Tribunal de Justiça. Outras medidas jurídicas e de ação foram aprovadas pela Assembleia, bem como a realização da próxima, no dia 09 de junho, às 14 horas, na Praça João Mendes.

Ao final da Assembleia, a exemplo do que já ocorrera em outras semanas, grande parte dos servidores para finalizar o ato se reuniram em frente ao Palácio da Justiça, sede do Judiciário paulista fazendo muito barulho em forma de protesto. Entretanto, centenas de servidores iniciaram a ocupação do prédio de forma ordeira e pacífica se acomodando nas escadarias e em todas as portas impossibilitando a entrada ou saída de qualquer pessoa. O 4º e 5º andares do Palácio ficaram repletos de servidores e de grande contingente policial. Durante a ação, a Comissão de representantes das entidades tentava se reunir com o presidente do TJ, desembargador Antônio Carlos Viana Santos.

Em mais de 7 horas, toda a manifestação ocorreu de forma pacífica e ordeira, usando-se na ocupação, apenas o apitaço e o grito de palavras de ordem como instrumento de pressão para que houvesse uma reunião na tentativa de negociação com a categoria. Porém houveram ameaças internas e externamente de desocupação com o auxílio da força por parte do batalhão de choque, o que não ocorreu.

O presidente do TJ não participou da reunião com as entidades e os deputados Olímpio Gomes (PDT), Maria Lúcia Prandi (PT) e Fernando Capez (PSDB) que mediaram a reunião. Permaneceu numa sala do Palácio e foi representado pelo desembargador Antonio Carlos Malheiros, que preside a Comissão Salarial.

A reunião foi  intensa e se alongou por  mais de três horas onde foram definidas as seguintes pautas de trabalho:

1. Será suspenso o efeito do comunicado feito pela Intranet das faltas da greve nos dias 07 e 08 de junho até a revisão pelo desembargador Viana Santos e o encaminhamento do pedido de suspensão da Resolução 520 ao Órgão Especial, em sessão que ocorre na próxima quarta-feira (09). A defesa em favor dos Servidores do Judiciário será feita pelo desembargador Antonio Carlos Malheiros.

2. Haverá uma reunião nesta segunda-feira, dia 07 de junho, às 15 horas, entre a Comissão de Negociação, os parlamentares que participaram dos trabalhos realizados nesta quarta (02) e que serviram como intermediadores durante o ato de ocupação do Palácio e os representantes do Tribunal.

Esses novos rumos do movimento foram a vitória da perseverança sobre a injustiça por parte dos servidores que permaneceram ao redor do Palácio da Justiça e também dos que estavam dentro do Palácio. Por ordem do TJ que fechou os banheiros e apagou as luzes, os servidores que ocuparam o 4º andar ficaram às escuras durante boa parte das negociações.

Já passava das 10 da noite quando os deputados e representantes desceram do Palácio da Justiça para dar os informes aos mais de 4 mil servidores irredutíveis em sua decisão de permanecerem na Praça Clóvis Bevilacqua, mesmo com o intenso frio daquela noite. O movimento após esse histórico dia tende a crescer ainda mais estimam as entidades.

O presidente da APATEJ, Antonio Grandi Filho, o Toninho, esteve representando a entidade na ocasião e afirmou após a reunião: “O movimento demonstrou sua força hoje, essa reunião re-abriu a possibilidade de novas negociações entre nós e o TJ para que se  resolva o quanto antes a nossa situação salarial”.


AGENDE-SE

Segunda – 07 de junho – 15 horas – Reunião da Comissão de Negociação com representantes do TJ e dos deputados Olímpio Gomes (PDT), Maria Lúcia Prandi (PT) e Fernando Capez (PSDB)

Terça – 08 de junho – 14 horas – Assembleia Regional da Capital na Praça João Mendes

Quarta – 09 de junho – 13 horas – Sessão do Órgão Especial no Palácio da Justiça quando deverá ser analisado o pedido de suspensão da Resolução 520

Quarta – 09 de junho – 14 horas – Assembleia Geral Estadual dos Servidores do TJ-SP na Praça João Mendes

WhatsApp Icon