NOTA DE REPÚDIO: Folha de S. Paulo insiste em narrativa distorcida sobre os salários no Judiciário

11/02/2025

A Apatej – juntamente com outras entidades representativas do Judiciário Paulista – enviou essa Nota de Repúdio para o Jornal Folha de S. Paulo , que publicou matéria no dia 08/ 02/2025 a respeito dos salários do judiciário de forma generalizada no tocante aos servidores .

 

É inaceitável que, mais uma vez, a Folha de S. Paulo opte por atacar o funcionalismo público com uma reportagem marcada pela desinformação e pela manipulação de fatos, apresentando uma visão enviesada e generalista sobre os ganhos dos servidores do Judiciário, especialmente o paulista.

De maneira irresponsável, o jornal ignora as diferenças fundamentais entre as remunerações de magistrados, desembargadores e membros do Ministério Público e a dura realidade enfrentada pela maioria dos servidores, como escreventes, oficiais de justiça, psicólogos e agentes, que há anos convivem com perdas salariais expressivas.

Enquanto uma minoria ostenta contracheques recheados de benefícios e “penduricalhos”, a grande massa de servidores amarga uma defasagem salarial devastadora, acumulando perdas que ultrapassam 30%. A corrosão do poder de compra causada pela inflação, frequentemente ignorada, reduziu seus salários a níveis de mera sobrevivência. Na prática, nos últimos anos, a cada doze meses trabalhados, esses profissionais recebem o equivalente a apenas nove salários.

A situação dos servidores do judiciário do Estado de São Paulo é muito diferente daquela apontada. A reportagem, ao generalizar os ganhos no Judiciário, distorce os fatos, desinforma a sociedade e reforça um estigma injusto sobre servidores que já se encontram em situação de extrema vulnerabilidade financeira. Não por acaso, muitos estão com suas margens de crédito consignado totalmente comprometidas, uma clara consequência da política de desvalorização e descaso com essa categoria.

Pedimos que a Folha de S. Paulo assuma sua responsabilidade como veículo de imprensa e abandone práticas que alimentam a desinformação e o preconceito contra os servidores públicos. Produzir conteúdo jornalístico exige compromisso com a verdade, respeito às nuances dos fatos e seriedade na análise das questões abordadas.

Estigmatizar trabalhadores não resolve os problemas estruturais do Judiciário nem contribui para o debate público qualificado. Pelo contrário: serve apenas para mascarar realidades complexas e perpetuar injustiças históricas. A solução exige coragem para tratar o tema com profundidade e seriedade, algo que a Folha, lamentavelmente, tem se recusado a fazer.

Assinam a NOTA:

Apatej, Aojesp, SindUni, AASPTJ, Affocos, Ajesp, Assojuris, Asserjud, Assojubs e Sintrajus

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