
TJ-SP muda canais de atendimento da área de Gestão de Pessoas
O novo sistema está nos comunicados 104/2026 e 105/2026, publicados nesta segunda-feira.
04/01/2010
“O
Judiciário tem uma parcela grande de responsabilidade pelo aumento das
práticas de corrupção em nosso país”, na opinião do ministro do Supremo
Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Em entrevista ao jornal O Globo,
o ministro afirma que a impunidade no Brasil é planejada e que as
instituições criadas para combatê-la, na prática, são organizadas de
uma forma que as tornam impotentes.
Segundo o ministro, a Polícia e o Ministério Público, apesar dos
erros cometidos e de suas deficiências, cumprem o seu papel. Já no
Judiciário, afirma com acidez o integrante do STF, “a falta de
transparência na tomada de decisões” e “as interpretações lenientes e
muitas vezes cúmplices para com os atos de corrupção” criam a sensação
generalizada de impunidade no país.
Para finalizar as críticas feitas à instituição da qual é
integrante, Joaquim Barbosa afirma que o Judiciário precisa ser
reinventado “para ser minimamente eficaz”. A entrevista foi concedida à
jornalista Carolina Brígido.
Leia a entrevista concedida ao jornal O Globo
Por que aparecem a cada dia mais escândalos envolvendo
políticos? A corrupção aumentou ou as investigações estão mais
eficientes?
Joaquim Barbosa : Há sim mais investigação,
mais transparência na revelação dos atos de corrupção. Hoje é muito
difícil que atos de corrupção permaneçam escondidos.
O senhor é descrente da política?
Joaquim Barbosa : Tal como é praticada no Brasil, sim. Porque a impunidade é hoje
problema crucial do país. A impunidade no Brasil é planejada, é
deliberada. As instituições concebidas para combatê-la são organizadas
de forma que elas sejam impotentes, incapazes na prática de ter uma
ação eficaz.
A quais instituições o senhor se refere?
Joaquim Barbosa: Falo especialmente dos órgãos cuja ação seria mais competente em termos
de combate à corrupção, especialmente do Judiciário. A Polícia e o
Ministério Público, não obstante as suas manifestas deficiências e os
seus erros e defeitos pontuais, cumprem razoavelmente o seu papel.
Porém, o Poder Judiciário tem uma parcela grande de responsabilidade
pelo aumento das práticas de corrupção em nosso país. A generalizada
sensação de impunidade verificada hoje no Brasil decorre em grande
parte de fatores estruturais, mas é também reforçada pela atuação do
Poder Judiciário, das suas práticas arcaicas, das suas interpretações
lenientes e muitas vezes cúmplices para com os atos de corrupção e,
sobretudo, com a sua falta de transparência no processo de tomada de
decisões. Para ser minimamente eficaz, o Poder Judiciário brasileiro
precisaria ser reinventado.
Qual a opinião do senhor sobre os movimentos sociais no Brasil?
Joaquim Barbosa: Temos
um problema cultural sério: a passividade com que a sociedade assiste a
práticas chocantes de corrupção. Há tendência a carnavalizar e
banalizar práticas que deveriam provocar reação furiosa na população.
Infelizmente, no Brasil, às vezes, assistimos à trivialização dessas
práticas através de brincadeiras, chacotas, piadas. Tudo isso vem
confortar a situação dos corruptos. Basta comparar a reação da
sociedade brasileira em relação a certas práticas políticas com a
reação em outros países da America Latina. É muito diferente.
Como deviam protestar?
Joaquim Barbosa: Elas deviam externar mais sua indignação.
É comum vermos protestos de estudantes diante de escândalos.
Joaquim Barbosa: O papel dos estudantes é muito importante. Mas, paradoxalmente, quando
essa indignação vem apenas de estudantes, há uma tendência generalizada
de minimizar a importância dessas manifestações.
A elite pensante do país deveria se engajar mais?
Joaquim Barbosa: Sim. Ela deveria abandonar a clivagem ideológica e partidária que guia suas manifestações.
O próximo ano é de eleições. Que conselho daria ao eleitor?
Joaquim Barbosa: Que pense bem, que examine o currículo, o passado, as ações das pessoas em quem vão votar.
Quando o senhor vota, sente dificuldade de escolher candidatos?
Joaquim Barbosa: Em
alguns casos, tenho dificuldade. Sou eleitor no Rio de Janeiro. Para
deputado federal, não tenho dificuldade, voto há muito tempo no mesmo
candidato. Para governador, para prefeito, me sinto às vezes numa saia
justa. O leque dos candidatos que se apresenta não preenche os
requisitos necessários, na minha opinião. Não raro isso me acontece.
Não falo sobre a eleição do ano que vem, porque ainda não conheço os
candidatos.
Fonte: Conjur

O novo sistema está nos comunicados 104/2026 e 105/2026, publicados nesta segunda-feira.

O objetivo do encontro era tratar de pautas institucionais da categoria.







