“Juiz é mal tratado e desrespeitado!”, ressaltou Nalini em entrevista à TV Cultura

07/04/2015

Na noite da última segunda-feira, 6/4, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Renato Nalini, participou de entrevista exclusiva no programa Roda Viva da TV Cultura.

Durante o programa, o desembargador respondeu a diversas perguntas dos jornalistas sobre assuntos pertinentes ao Judiciário, como orçamento do TJ, altíssimos salários e benefícios concedidos aos magistrados, proposta de emenda constitucional, que propõe a redução da maioridade penal para 16 anos, acúmulo de processos em trâmite no Tribunal, entre outros.

Sobre as vantagens concedidas à magistratura brasileira, um jornalista ressaltou a distorção que a aprovação do polêmico auxílio-saúde, concedido aos juízes, de R$ 4.300, causa aos servidores em geral do Judiciário. Além disso, também questionou se, a partir do pagamento desse benefício, haveria recursos para todas as categorias, que vêm reivindicando por melhorias. Em seguida, Nalini apenas afirmou que a magistratura já estava necessitada de um reajuste inexistente há anos e que a decisão ”está na lei”.

Uma questão polêmica abordada no programa refere-se à preservação do sigilo do julgamento de processos disciplinares, aqueles contra os juizes, ao contrário dos judiciais, na Corregedoria Geral. De acordo com a jornalista, não é possível o acesso a esses documentos e ao questionar essa realidade ao presidente Nalini este desconversou e afirmou que isso não é verdade e ainda defendeu os magistrados. “Não podemos fazer com que o juiz seja mais prejudicado que o réu. Se o réu comum pode pedir segredo de justiça, por que o juiz não pode?. Então, a previsão de sigilo do processo, segredo de justiça, trata-se de interesse da parte ou é resultado de algum caso relevante”, concluiu.

O presidente também apontou que, atualmente, há um declínio de valores na sociedade, resultando na falta de valorização dos magistrados no País. “O juiz é mal tratado e desrespeitado na nossa sociedade!”, exaltou ele, que ainda ressaltou que essa classe convive com um trabalho estressante diariamente, por isso merecem usufruir dois meses de férias e folgas. “O juiz trabalha ainda mais quando fica de férias e precisa vender as mesmas, muitas vezes, para complementar o salário”, defendeu.

Veja alguns trechos da entrevista:

 

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