Dia Internacional da Mulher!

02/03/2011

“Não se nasce mulher: torna-se”. Esta frase de Simone de Beauvoir
sintetiza, em poucas palavras, a essência feminina: o poder de
transformar-se.

De fato, a mulher aprendeu durante anos a ensaiar papéis para executar em seu próprio palco. Espaço líquido, dosado e administrado pelo oposto. Reaprendido e novamente delimitado a cada geração, a cada gestação. O Dia Internacional da Mulher não é apenas uma data comemorativa, mas um dia para reflexão, no qual, a cada ano, as mulheres repensam seus papéis, escolhas e a maneira pela qual se posicionarão perante a sociedade.

Em sua primeira datação, ainda em 1909, nos Estados Unidos, as mulheres buscavam conquistas nos quadros profissionais, melhores condições de trabalho, salariais e direito ao voto. Com o passar do tempo, outras reivindicações foram agregadas ao desejo da mulher, não de sagrar-se como gênero, mas de avaliar-se e ser compreendida como cidadã. Esta é, até hoje, a bandeira central de sua luta.

Mas foi apenas em 1975, simultaneamente na Europa e nos Estados Unidos, que o dia 8 de março entrou para o calendário mundial. Desde então, muitas mudanças foram aconteceram. A mulher conquistou o direito ao voto, penetrou no mercado de trabalho, alcançou sua independência financeira, divórcio, e até “queimou” sutiens em ato simbólico que representasse a igualdade entre os gêneros.

Hoje, a mulher gerencia empresas, administra o lar, relaciona-se como igual, vota, protesta, é presidente de países. Não podemos renegar suas conquistas, mas é importante salientar que, ainda que registradas tais conquistas, o caráter inicial do Dia Internacional da Mulher, a partir do viés de melhores condições de trabalho, foi suplantado pelas comemorações da data e pelo seu uso comercial.

Não esqueçamos que sua luta maior é pelo seu posicionamento como cidadã, mantendo sua feminilidade. E como cidadã, a mulher, inserida nesta sociedade redesenhada, ainda continua sua luta tanto por cláusulas do gênero quanto por questões referentes a qualquer trabalhador, principalmente na máquina pública, onde o trato com o servidor está longe de cumprir o direito básico a um salário corrigido ou a um ambiente de trabalho estruturado para atender as demandas as quais responde.

Por isso, a Apatej dedica este Dia à reflexão, mesmo sabendo que qualquer tentativa de escrever ou falar sobre a mulher, assim como foi feito inicialmente neste texto, não poderia ter um despecho. Nada, que não transmutável, poderia ser elencado como argumento para este “prefácio”. Então, a questão a qual submetemos você, leitor, é: celebra-se o passado ou discute-se o presente?
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