Funcionários do Tribunal de Justiça de São Paulo vão trabalhar em casa

06/01/2014

Funcionários do Tribunal de Justiça de São Paulo, o maior do Brasil, vão passar a trabalhar em casa dois dos cinco dias úteis da semana. A medida inédita foi anunciada pelo novo presidente do tribunal, José Renato Nalini, que tomou posse quinta-feira, dia 2, para um mandato de dois anos.

Nalini declarou que, numa época em que muita coisa se faz pela internet, não há necessidade de todos os funcionários estarem no tribunal todos os dias. Segundo defendeu, muitas das tarefas que os funcionários de vários setores têm que desempenhar podem ser pedidas, executadas e enviadas via web.

“Os 55 mil funcionários do tribunal não precisam de ter uma bola de ferro amarrada ao pé para cumprirem rigorosamente o horário nem estarem todos conjuntamente em espaços nem sempre tão confortáveis”, argumentou o novo presidente do tribunal paulista, acrescentando: “Nós precisamos de pensar em produtividade. Não é porque os funcionários ficam em casa que vão produzir menos, ao contrário, vão economizar o tempo da deslocação, contribuindo para a política da mobilidade urbana, que está tão caótica em São Paulo.”

FUNCIONÁRIOS SERÃO TREINADOS
De acordo com informações adiantadas ao Correio da Manhã pela assessora de imprensa do Tribunal de Justiça, que está fechado e só reabre na semana que vem, a medida anunciada por José Renato Nalini vai ser iniciada com assessores especiais dos gabinetes dos magistrados. São pessoas que têm que estudar longamente os processos, emitir pareceres técnicos e fazer pesquisas, o que pode perfeitamente ser feito nas suas casas sem prejuízo para o ritmo de tramitação das causas em questão.

Todos os funcionários que participarão no esquema de trabalho em casa vão passar antes por treinos específicos para cada caso. Segundo Nalini, o maior obstáculo que imagina ir enfrentar para implementar esta medida inovadora, que tem carácter experimental, será conseguir mudar a cultura de atuação dos chefes dos diversos setores do tribunal, acostumados a terem os seus subordinados por perto.

A medida que Nalini pretende agora estender oficialmente aos funcionários, e que tem o apoio dos sindicatos representativos dos trabalhadores do poder judiciário, já é praticada há muito, de forma não oficial, por diversos juízes. Esses magistrados não marcam audiências para as segundas e sextas-feiras e nem mesmo vão ao tribunal nesses dias sob a alegação de que precisam concentrar-se na análise dos processos, o que, segundo eles, só conseguem fazer plenamente nas suas residências.

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