
Notar de Pesar - Antônio Laureano de Castro
Laureano, como era carinhosamente chamado, marcou sua trajetória pela alegria, energia e disposição em ajudar.
03/04/2017
Setenta a cada 100 acidentes de trabalho com morte ou mesmo com lesões graves estão entre os terceirizados, afirma o presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, Germano Siqueira, O motivo, diz ele, é a falta de capacitação e treinamento desses profissionais.
É questão fechada na Anamatra o posicionamento contra a terceirização. A entidade também rebate quem afirma que a Consolidação das Leis Trabalhistas seja algo de um passado remoto que não condiz mais com a realidade do Brasil. Isso porque, ressalta Siqueira, várias leis foram alteradas ou adicionadas para modernizar o código.
Leia abaixo um trecho da entrevista:
ConJur Qual a posição oficial da Anamatra sobre terceirização
Germano Siqueira A Anamatra fechou questão em um congresso em Salvador e ficou definido que ela deve comparecer a todos os foros e instâncias para se posicionar contra a terceirização. Contra por vários motivos. Quando se fala em terceirização o olhar que a gente tem é que a terceirização desconstrói as características fundamentais trabalhistas. A realidade dos processos de terceirização que a gente encontra na jurisdição é absolutamente dramática. Você vai encontrar o trabalhador terceirizado e o contratado diretamente esta é a antítese entre um e outro, o terceirizado tem salário de 30% a mais, para começo de história. Então é um trabalhador considerado e tratado anti-isonomicamente do ponto de vista salarial. Se você for ver a realidade, mais de 70% dos acidentes de trabalho com morte ou mesmo com lesões graves estão entre os terceirizados.
ConJur Por que essa diferença tão grande no número de acidentes
Germano Siqueira A razão é uma só: não há treinamento e capacitação entre os terceirizados que trabalham em atividades de risco. Eu próprio julguei um processo em uma empresa de eletrificação uma terceirização nesta área tão arriscada em que um trabalhador foi fazer um trabalho em linha viva de sandália havaiana, sem luvas. Isso é um caso concreto. Sem luvas e com a vareta pela metade do que deveria ser. Ele, ao fazer isso, foi chamado para a linha viva. Não sei como não morreu, mas perdeu a genitália, perdeu o membro superior completamente, queimou metade do tórax, perdeu o membro inferior interno. Ele chegou à audiência, eu não sabia como estava vivo. Então essa é a realidade do mundo da terceirização.
ConJur O que o senhor diz das acusações de que a legislação trabalhista seria obsoleta?
Germano Siqueira A CLT não é a mesma dos anos 40. Se pegar no site do Planalto e colocar CLT, você vai ver as várias alterações que já ocorreram. No artigo 62, trabalho sem controle de jornada não tem hora extra, o trabalho e o tempo parcial, uma série de outras. Então quem quer, na verdade, que a CLT seja proscrita, que ela saia do mapa, fala a CLT é uma velha senhora, que a CLT não atende mais.
A CLT já foi modificada muitas vezes. Se quiser fazer um estudo, você baixa lá no Planalto, vai ver quantas leis já vieram. E não é coisa de hoje, é um movimento contínuo. Tem modificação da lei em 1950, 60, 70, 80, várias. E também há modificações interpretativas, de entendimento. Você lê o texto da lei e dá consonância à realidade. Os tribunais também fazem isso. Esse movimento também que é de abolir a CLT por completo é um desserviço ao país. E o fato de uma lei ser antiga não quer dizer que antiga é ruim. Não é. Eu acho que o espírito da CLT, o que ela traz de referência, é muito importante.

Laureano, como era carinhosamente chamado, marcou sua trajetória pela alegria, energia e disposição em ajudar.

A nova regra passa a valer na folha de setembro de 2026, com pagamento previsto para outubro.







